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Tommy Briggs contribuiu com o Blackburn com muitos gols
A temporada era 1954/1955 e o Blackburn tentava voltar à elite do futebol inglês, após anos na segunda divisão.
O time marcou 114 gols que poderiam lhe garantir o retorno à primeira divisão. O número assombroso de tentos foi atingido em inúmeras partidas do campeonato, especialmente em expressivas goleadas sobre os adversários, entre agosto de 1954 e abril de 1955, como as seguintes vitórias: contra o West Ham, duas vezes, pelo placar de 5 a 2; sobre o Swansea por 4 a 1; contra o Derby County por 5 a 2; sobre o Ipswich Town e Rotherham United por 4 a 1; sobre o Middlesbrough por 9 a 0; contra o Hull City por 4 a 0 e 4 a 1; diante do Doncaster Rovers por 7 a 2 e sobre o Bristol Rovers por 8 a 3.
Os resultados acima apontam vitórias massacrantes que somam-se a outros êxitos com placares mais econômicos, mas que ajudaram o time a anotar pontos e se estabelecer entre os primeiros colocados da tabela com o total de 22 vitórias, além dos pontos obtidos em 6 empates que lhe renderam 50 pontos no campeonato.
Mesmo com a marca de 114 gols marcados, com vantagem de 20 gols a mais que o primeiro colocado, o Blackburn sofreu 14 derrotas. E da mesma forma que impôs vitórias com placares largos sobre os adversários, também levou muitos gols dos times que enfrentou, como as derrotas de 5 a 1 para o Fullham; 7 a 3 para o Luton Town; 5 a 4 para o Notts County; 4 a 1 para o Liverpool; 5 a 1 para o Rotherham United e 4 a 3 para o Middlesbrough e as derrotas com marcadores modestos.
O número de gols sofridos em vitórias, derrotas ou empates alcançou a marca de 79 tentos contra a sua rede, sendo 26 a mais que o líder do campeonato.
Dessa forma, o Blackburn atingiu a marca espetacular de 114 gols contra os seus adversários, mas sofreu 79 gols. Ao mesmo tempo em que foi o líder de gols marcados no campeonato, em contrapartida foi o time que mais levou gols e mais sofreu derrotas, pelo menos entre os seis primeiros colocados da segunda divisão que almejavam o acesso à elite do futebol inglês.
Na última rodada, os Rovers tinham 50 pontos, 22 vitórias, 6 empates e 14 derrotas e terminaram o campeonato na sexta posição, retornando à primeira divisão apenas na temporada 1957/1958, quando foram vice-campeões.
O Blackburn prova que o número de gols e muitas goleadas não garantem boa colocação, em caso de derrotas igualmente vergonhosas e superiores dos seus adversários que disputam os primeiros lugares da tabela.
No Boxing Day de 1999, o Chelsea tornou-se o primeiro clube
britânico a entrar em campo com todos os onze jogadores estrangeiros -
inclusive o treinador -, na partida da Premier League contra o Southampton, em
Stamford Bridge.
No time titular, havia o primeiro brasileiro a vestir a
camisa dos Blues: o zagueiro Emerson Thome. Conhecido pelo apelido Paredão, o
já aposentado defensor nasceu em Porto Alegre e iniciou nas categorias de base
do Internacional. Nunca entrou em campo pelo time profissional do Colorado.
Fez toda sua carreira em Portugal, onde defendeu quatro
clubes, dentre eles o Benfica; na Inglaterra, despertando o interesse do
Chelsea enquanto defendia o Sheffield Wednesday, e no Japão, país em que
encerrou a carreira jogando pelo Vissel Kobe, em 2007.
Gianluca Vialli
Exceção ao brasileiro Emerson e ao italiano Gabriele
Ambrosetti, todos os titulares do Chelsea naquela partida chegaram a conquistar
algum título pelo clube londrino.
Enquanto o italiano Gianluca Vialli escalou onze
estrangeiros naquele 26 de dezembro, o Southampton entrava em campo com sete
ingleses. O atacante norueguês Tore Andre Flo marcou os gols da vitória por 2 a
1.
Após 111 anos, três meses e 17 dias da história da Football
League, Vialli havia feito o que nenhum outro treinador havia em mais de 150
mil partidas. Abaixo, estão listados todos os titulares daquele dia.
EDUARD FRANCISCUS DE
GOEIJ
Posição: goleiro
Nacionalidade: holandesa
Títulos pelo Chelsea: Copa da Liga (1998), Recopa Europeia (1998),
Supercopa da UEFA (1998), FA Cup (2000), Community Shield (2000).
ALBERT FERRER
Posição: lateral-direito
Nacionalidade: espanhola
Títulos pelo Chelsea: Supercopa da UEFA (1998), FA Cup
(2000), Community Shield (2000)
FRANCK ALAIN JAMES
LEBOEUF
Posição: zagueiro
Nacionalidade: francesa
Títulos pelo Chelsea: FA Cup (1997 e 2000), Copa da Liga
(1998). Recopa Europeia (1998), Supercopa da UEFA (1998)
EMERSON THOME
Posição: zagueiro
Nacionalidade: brasileira
Títulos pelo Chelsea: nenhum
CELESTINE BABAYARO
Posição: lateral-esquerdo
Nacionalidade: nigeriana
Títulos pelo Chelsea: Recopa Europeia (1998), Supercopa da
UEFA (1998), FA Cup (2000)
DIDIER DESCHAMPS
Posição: meia
Nacionalidade: francesa
Títulos pelo Chelsea: FA Cup (2000)
DANIEL VASILE
PETRESCU
Posição: meia
Nacionalidade: romena
Títulos pelo Chelsea: FA Cup (1997), Copa da Liga (1998), Recopa
Europeia (1998), Supercopa da UEFA (1998)
ROBERTO DI MATTEO
Posição: meia
Nacionalidade: italiana
Títulos pelo Chelsea: FA Cup (1997 e 2000), Copa da Liga
(1998), Recopa Europeia (1998), Supercopa da UEFA (1998), Community Shield
(2000)
GABRIELE AMBROSETTI
Posição: meia
Nacionalidade: italiana
Títulos pelo Chelsea: nenhum
GUSTAVO POYET
Posição: meia
Nacionalidade: uruguaia
Títulos pelo Chelsea: Recopa Euorpia (1998), Supercopa da
UEFA (1998), FA Cup (2000), Community Shield (2000)
TORE ANDRE FLO
Posição: atacante
Nacionalidade: norueguesa
Títulos pelo Chelsea: FA Cup (1997 e 2000), Copa da Liga
(1998), Recopa Europeia (1998), Supercopa da UEFA (1998), Community Shield
(2000)
É difícil imaginar que um time acostumado a aplicar goleadas
em muitos dos jogos que disputa atualmente, já recebeu uma goleada gigantesca
em 2008, que é logo ali. Há até páginas no Facebook para essa partida.
"Eu estava vivo quando o Middlesbrough venceu o Manchester City por 8 a
1", em 11 de maio. Você estava onde quando aquilo aconteceu?
Empatado com o Chelsea na primeira colocação da atual Premier
League, o City vai receber o Middlesbrough, em quarto na Championship, no
Etihad Stadium, na fase 16 avos de final da FA Cup 2014/15. Hoje, seria mais
provável que o contrário acontecesse, e os Citizens retribuíssem o placar
elástico daquela ocasião no Riverside Stadium, pela última rodada da Premier
League 2007/08.
O jogo não ficará na história somente por causa do placar,
mas também graças aos autores dos gols. Afonso Alves anotou hat-trick e Fábio
Rochemback foi às redes pelos anfitriões, enquanto Elano, que nem titular era,
descontou para o City.
Os problemas para o City começaram quando Richard Dunne
cometeu pênalti e foi expulso pelo árbitro Phil Dowd, aos 16 minutos do
primeiro tempo. Stewart Downing, no primeiro clube de sua carreira, abriu o
placar. O primeiro de Afonso Alves veio ainda na etapa inicial. Downing marcou
seu segundo após o intervalo - um belo chute de primeira, sem deixar a bola
cair.
Afonso Alves marcou o quarto tocando na saída de Mark
Schwarzer, hoje de saída do Chelsea para o Leicester. Adam Johnson, também no
clube que o revelou, anotou em chute de fora da área, desviado, para enganar o
goleiro australiano. Fábio Rochemback mitou aos 36, em pancada no ângulo em
cobrança de falta.
Jeremie Aladière, revelado pelo Arsenal e perdido no Qatar,
marcou o sétimo em chute cruzado dentro da área. Quando Elano substituiu Martin
Petrov e marcou belo gol com a canhota, chutando no alto, à direita de Andreas
Isaksson, parecia que os números finais tinham sido dados ao placar. Mas Afonso
Alves ficou com inveja e quis ser o brasileiro a balançar as redes pela última
vez, já aos 45. Final: 8 a 1.
Público: 27,613
Árbitro: Phil Dowd (Staffordshire).
Estádio Valley Parade consumido pelo fogo (Foto: Divulgação)
Seu time após um longo período está de volta a segunda divisão (o que é uma alegria tremenda para muitos fanáticos torcedores de modestos times pela Inglaterra), faz uma temporada perfeita e depois de eternos 48 anos pode comemorar a volta para o segundo escalão do país e ainda de quebra com título! Imaginou? Pois é, seria um sonho que se realizaria, no entanto algo mudaria para sempre a história dessa conquista, algo que certamente não é nada agradável de se recordar. Um incêndio! Sim, fogo! Que começou dentro do estádio enquanto a partida ainda nem mesmo tinha acabado.
Em 11 de maio de 1985 no estádio Valley Parade no norte da Inglaterra, o time da casa duelava contra o Lincoln City pela terceira divisão da Football League (que abrigava todas as divisões). O Bradford City se preparava para receber o troféu de campeão da temporada e toda a euforia acabou quando o teto do principal setor do estádio começou a pegar fogo, que deixou 250 feridos e ainda matou 56 outras pessoas.
O fogo começou com um cigarro jogado sem propósito por um torcedor nas fendas do estádio, que era de madeira, o que agravou o ocorrido. As chamas logo começaram de forma branda, consumindo o lixo que estava na parte inferior das arquibancadas. Para piorar ainda mais, a cobertura era feita de lona e nunca havia sido substituída por qualquer outra estrutura metálica ou semelhante. Então, rapidamente as chamas se alastraram por todo aquele setor e o pânico começou. Torcedores tentaram correr para o gramado e mesmo no meio do medo surpreendentemente ainda se observavam alguns deles cantando ao 'City', o Bradford. O que se via era uma mistura de horror e festa, isso mesmo, festa de alguns fanáticos que até acenavam para a câmera da TV. Mas não havia extintores muito menos brigadistas para conter o fogo, e por incrível que possa parecer também não havia saída de emergência, um caos total, foi o fim trágico daquela tarde de sábado.
Parte externa nas ruas do estádio, caos completo (Telegraph)
Entrementes, o fato serviu de alerta e aprendizado para a Federação Inglesa bem como as autoridades que mudaram a estrutura de todos os estádios que se encontravam em situação de risco semelhantes. Não se observou mais nenhuma arquibancada de madeira nos centros esportivos ingleses, até mesmo de outros esportes.
Como de praxe, este episódio também está vivo na memória dos ingleses assim como Hillsborough, e em todos os anos são feitas homenagens, rituais e um memorial para as vítimas na parte externa do estádio, além de um banner que fica à vista em todos os jogos do Bradford City.
Abaixo temos um vídeo bem interessante que mostra imagens feitas ao vivo durante a partida no exato momento do início de incêndio, depois com a evacuação das arquibancadas e até o setor do estádio completamente tomado pelo fogo.
Hoje o Valley Parade está reformado e com um setor muito mais moderno e a equipe do Bradford disputa a League One, a mesma divisão que disputava quando aconteceu o incêndio.
Valley Parade atualmente
Thomas Edgar Ball (que ficou conhecido como ''Tommy Ball'') nasceu em 11 de fevereiro de 1900, na pequena cidade de County Durham, no nordeste da Inglaterra. Thomas cresceu jogando futebol na escola, e aos 10 anos de idade ganhou sua primeira medalha como jogador. Mas logo que saiu da escola, Tommy foi trabalhar como mineiro. Só que nem assim desistiu do futebol e jogou por algumas equipes mineiras antes de assinar seu primeiro contrato profissional, pelo Newcastle United.
Ball não chegou a jogar nenhum jogo pelos Magpies, então acabou indo para o Aston Villa, que disputava a primeira divisão inglesa, em 1920. Thomas jogava como zagueiro, mas na época foi contratado apenas como reserva de Frank Barson. Logo naquele ano, Tommy foi campeão da FA Cup, mesmo sem ter jogado a final. Na temporada 1922/23, o Aston Villa viu que Thomas era um jogador bom o suficiente, e então liberou Barson para o Manchester United. A partir daí, Tommy se fixou como zagueiro titular do Villa.
Logo em 1922/23, Ball fez 36 jogos, e o Villa terminou a primeira divisão na sexta colocação. Ball jogou muito bem naquela temporada, e todos diziam que sua convocação para a seleção inglesa não estava longe. Seu último jogo foi contra o Notts County, em que o Villa venceu por 1 a 0, ficando assim em terceiro lugar na tabela.
Na noite seguinte, dia 11 de novembro de 1923, Tommy e sua mulher Beatrice foram até a Igreja Tavern, Ball bebeu três litros e meio de cerveja, e ficou bêbado. Ao voltar pra casa, ele foi até o jardim para pegar o cachorro e levá-lo para dentro de casa, mas Beatrice disse que começou a ouvir uma discussão muito alta, seguida de um tiro. Ao chegar no jardim viu seu marido cambaleando em direção a ela, e viu também o vizinho deles, George Stagg, com uma arma na mão. Stagg ainda deu mais um tiro, mas passou por cima do ombro de Beatrice. Ball morreu pouco depois, por causa dos ferimentos. Stagg não fez nenhuma tentativa de fugir e foi preso no local do crime.
Stagg era um ex-policial, que foi ferido durante a Primeira Guerra Mundial, e já havia ameaçado Ball, alegando que as galinhas de Tommy estavam acabando com sua horta. Ele disse que envenenaria as galinhas, e também já havia tentado fazer com que Ball fosse despejado da casa onde morava de aluguel.
O funeral ocorreu no dia 19 de novembro, foi acompanhado por sete treinadores, vários carros e uma multidão que foi em direção da Igreja de São João. Havia várias coroas de flores e o caixão foi levado pelos ex-companheiros de Aston Villa.
Ball foi enterrado no Cemitério de São João, em um túmulo decorado com bolas de futebol. Lá está gravada a frase ''Para T.E. Ball, um sinal de estima de seus colegas e jogadores do Aston Villa FC''.
Hoje
as competições europeias estão no topo das prioridades dos principais clubes
europeus. A verdade é que sempre foi assim, desde o início da ideia de tentar
conquistar o continente, futebolisticamente falando. Acontece, que houve um ano
em que os times ingleses puderam bater no peito e afirmar que dominaram a
Europa. Hoje, a nossa viagem vai se focar em dois dos maiores times do Reino
Unido, o Leeds e o Manchester United.
Então
vamos voltar ao final dos anos 70, pra ser mais exato o ano de 1967. Naquela
época, os ingleses queriam saber basicamente de duas coisas: Beatles e futebol.
Enquanto a banda de Liverpool lançava o renomado “Sgt. Pepper's
Lonely Hearts Club Band”,
o campeonato local era conquistado pelos Red Devils, em uma campanha que somou
60 pontos, que lhe deu a vaga para a Copa dos Campeões. O vice campeão,
Tottenham, disputou a chamada “Winners’ Cup”, sendo eliminado pelo Lyon nas
oitavas de final. Coube a Nottingham Forest, Liverpool e Leeds disputarem a “Taça
das Cidades com Feiras”, algo semelhante a atual Europa League com a diferença
de ter um nome estranhamente legal.
Os
times eram históricos. Não só pela grandeza, mas pelos elencos, recheados de
ídolos históricos. O Manchester United tinha nada mais que George Best carregando
a camisa 7 e Bobby Charlton. Enquanto isso, os Peacocks tinham jogadores como
Paul Madeley e Peter Lorimer no seu esquadrão.
As
campanhas dos dois começaram avassaladoras. O atual campeão inglês emplacou uma
goleada de 4 a 0 no primeiro jogo contra o Hibernians, time de Malta. No
segundo jogo, com o resultado já definido, o 0 a 0 foi sendo arrastado até o
apito final. Já o Leeds decidiu não poupar esforço em momento algum no confronto
contra o pobre Spora de Luxemburgo. O agregado foi um incrível 16 a 0, com nove
gols na casa do adversário e outros sete na Inglaterra.
Na
fase seguinte da atual Champions League, o único representante inglês teve pela
frente o Sarajevo da Iugoslávia, enquanto os Whites enfrentariam o Partizan
pela fase de 16-avos-de-final da Taça das Cidades com Feiras, obrigando os dois
times a fazerem viagens para a Iugoslávia. Ambos se classificaram, com os resultados
agregados de 2 a 1 e 3 a 2, respectivamente.
Já
nas quartas, os Red Devils visitariam a Polônia, para enfrentar o Górnik
Zabrze, quando se classificaram com outro 2 a 1 agregado, dessa vez com um
pequeno drama no Old Trafford, quando tomou um gol que poderia acabar com os
sonhos europeus dos torcedores. Porém ficou apenas nisso. A classificação porém
já estava encaminhada. O Leeds no entanto começaria sua pequena excursão à
Escócia. O primeiro adversário foi o Hibernian. A classificação veio com uma
vitória pela vantagem mínima em Elland Road e um empate por 1 a 1 fora de casa.
O adversário seguinte foi o Rangers, que não conseguiu fazer muito em casa, resultando
num empate sem gols. Já na Inglaterra, Lorimer e Johnny Giles manteram o time
na competição.
Agora
com os dois times nas semi-finais, o sonho parecia cada vez mais próximo. O
Leeds teria mais um confronto britânico, contra o Dundee. O United, enfrentaria
o Real Madrid no que se esperava ser um dos maiores confrontos do ano. O que
foi confirmado em campo, após o empate em 3 a 3 no Santiago Bernabéu, precedido
pela vitória em casa por apenas 1 a 0. Os Peacocks sofreram também, mas se
classificaram no mesmo estilo. Vitória com placar magro em casa e empate fora de
seus domínios. 2 a 1 no total.
E
vieram as finais. Leeds e Manchester United estavam cada vez mais próximos da
glória, da vitória, da taça. No 29 de maio de 1968, o Wembley estava lotado
para ver a final da Copa dos Campeões. De um lado, o time “da casa”, se é que
pode ser chamado assim. Do outro, o Benfica, de ninguém menos que Eusébio.
A
expectativa era grande, a festa foi bonita no estádio. Mas com a bola rolando,
quem se sobressaiu foi o time inglês, aplicando uma goleada consolidada na
prorrogação. No tempo regulamentar, Bobby Charlton abriu o placar para o futuro
campeão, mas o meia Jaime Graça adiou por alguns minutos a comemoração do
torcedor.
Na
prorrogação porém, após nove minutos já se sabia quem ergueria a taça. George
Best, aos três do primeiro tempo da prorrogação tratou de por o United na
frente. Brian Kidd aumentou a vantagem em menos de um minuto. Best, aos nove
encerrou o placar, em algo parecido com o que foi a final da mesma competição
nesse ano de 2014. O Manchester United conquistava assim sua primeira taça de
campeão europeu, consolidando a geração de históricos atletas que passaram pelo
time na época.
O
Leeds por sua vez, precisou de dois jogos para conquistar o título em cima do
Ferencváros da Hungria. No dia 7 de agosto do mesmo ano, o Elland Road estava lotado
para ver a partida que poderia significar a primeira conquista europeia do
clube. E Mick Jones marcou o gol do título já na partida de ida. Um mês depois,
na partida de volta, após muito se tentar, os donos da casa não conseguiram
ultrapassar o goleiro Gary Sprake, finalizando assim o placar sem gols. O
suficiente para fazer o torcedor inglês festejar a merecida alcunha de campeão da
taça com nome engraçado.
Hoje
sabemos que a Premier League é de fato a melhor liga do mundo (é sim, não
adianta discutir). Mas o que os clubes ingleses não têm hoje, é a supremacia
que esses clubes tiveram. Seja com um placar humilhante contra times de
Luxemburgo, seja com partidas históricas contra o Real Madrid, os clubes estão
na história por isso, por representarem um país dentro de campo, dando orgulho
aos seus torcedores e mostrando porque o futebol britânico é o melhor praticado
no mundo.
Anton Johnson (direita) e Harry Redknapp, em 2012. Foto: Thurrock Gazette.
Anton Johnson. Este nome pode não soar familiar para boa parte dos torcedores do futebol inglês, mas dois clubes, certamente, têm pesadelos ao lembrar dele: Southend United e Rotherham United. No final de 1979, Johnson, que havia passado de açougueiro a empresário (vinha da quinta geração de açougueiros da família), era dono do Rotherham, comprando-o por £67,500. Pouco tempo depois, Anton comprou 44.9% do Southend United, que pertencia aos Irmãos Rubin. Naquela época, o clube já possuía uma dívida de £250,000, valor consideravelmente alto para a época.
O problema das dívidas começava a afetar o desempenho do clube: em agosto de 1983, Dave Smith, técnico do Southend até então, foi substituído por Peter Morris, que teve uma surpresa amarga: o clube contava com um plantel de apenas 10 jogadores. As falcatruas de Johnson, que foram desde negociações fraudulentas a desvio de verba, custaram o rebaixamento do Southend para a quarta divisão, amargando não apenas a queda, mas um enorme rombo financeiro e uma média de torcida de apenas 2 mil pessoas por partida.
A situação do clube era tão desesperadora, que além de cair para a quarta divisão, o clube ficou na 22ª posição, quase tendo de recorrer a uma re-eleição para continuar participando de torneios. Johnson ainda desfalcou as economias do clube para o Natal em £70,000. Preso em outubro de 1984, Johnson já havia feito a soma das dívidas do clube chegar a assustadores £800,000! Além de preso, Anton Johnson foi banido pela Football Association de qualquer atividade relacionada ao futebol, em 1985. Naquele momento, Anton possuía não apenas dois, mas três clubes: Southend, Rotherham e Bournemouth.
Vários nomes passaram pelo Southend no momento da crise: Bobby Moore, inicialmente como chefe-executivo e depois como treinador. Andrew MacHutcheon como presidente e Vic Jobson como diretor, embora ambos tenham ficado apenas meses no clube. A pedido de Vic, Robert Maxwell e Ken Bates emprestaram dinheiro para o clube repor as economias de Natal.
Mesmo mais de uma década após sua prisão e banimento de atividades envolvendo o futebol, Anton Johnson mostrou interesse em adquirir o Doncaster Rovers, mas não concretizou a compra.
Durante seu tempo no Rotherham United, Johnson trouxe lan Porterfield
para ser o técnico do time e livrá-lo do rebaixamento para a quarta
divisão, na temporada 1979/80. No ano seguinte, o time conquistou a
terceira divisão com a chegada de vários novos jogadores, mas a custos
altos. Aliás, durante a temporada, o Rotherham conseguiu a façanha de
tomar apenas 8 gols em 23 partidas jogadas em Millmoor, a casa do time.
Porém, nos bastidores, negociações obscuras de Johnson fizeram com que o
clube sofresse ameaça de deixar de existir.
Um fato curioso sobre Johnson: enquanto dono do Bournemouth, ele deu a Harry Redknapp, hoje renomado, seu primeiro trabalho como técnico, em 1983.
Anton também investiu como empresário no ramo musical. Conseguiu trazer shows de bandas como Fleetwood Mac, Status Quo e the Temptations para Thurrock, lugar onde nasceu e cresceu. Atualmente, Anton está com 72 anos.
Em um campeonato bastante acirrado, Arsenal e Liverpool disputaram o título até o último jogo, este com 76 pontos e aquele com 73. Na partida final, um confronto direto, o time londrino ganhou por dois gols para sagrar-se campeão inglês na temporada 1988-89. Agora, todos aposentados e alguns longe do futebol, descubra por onde andam os jogadores dos Gunners campeões da liga em 89, com a descrição de Alan Smith, parte da equipe vencedora.
Goleiro - John Lukic
Muito Calmo e com um senso de humor seco. Lukey foi um dos jogadores favoritos da torcida por muitos anos. No tempo livre John jogava na ações no seu tempo livre e amava roubar o seu jornal da manhã. Atualmente ele trabalha como técnico de goleiros.
Lateral-direito - Lee Dixon
Assim que ele chegou do Stoke City, nós melhoramos de cara. Nunca se complicou no jogo, ele sabia no que era bom: defendendo no um contra um. Um cara inteligente dentro e fora do campo. Hoje, trabalha como comentarista na ITV, emissora britânica.
Líbero - David O'Leary
Começando a última partida compondo os 5 defensores, Paddy foi meu companheiro de quarto naqueles anos iniciais. O que ele não sabia sobre o clube provavelmente não merecia ser descoberto, ele conhecia muito. Um defensor inteligente e a única pessoa que conheço a ter 3 testemonials (jogos beneficentes). Após ser mandado embora pelo Al-Alhi, clube dos Emirados Árabes, recebeu indenização de 3,3 milhões de libras. Hoje ocasionalmente trabalha como comentarista para a Al-Jazeera (emissora do Catar) e BT Sport (canal inglês).
Zagueiro - Tony Adams
Muito diferente do pensador de hoje em dia, Rodders era o cara rude de Essex sempre disposto a rir. Também foi um dos melhores defensores que já conheci. Um líder nato que rugia como um leão. Ele fundou a clínica Sporting Chance, que trata atletas com problemas de vício, e exerce a função de presidente lá.
Zagueiro - Steve Bould
Feliz em manter sua cabeça baixa em termos de publicidade, o que muitas vezes o fez ser considerado subestimado. No entanto, ninguém na equipe subestimava Bouldy, muito menos os atacantes. Amava dar um carrinho, um bom defensor. Arsène Wenger trabalha com o ex-jogador atualmente, onde este ocupa a posição de assistente técnico da equipe da capital.
Lateral-esquedo - Nigel Winterburn
O último a chegar no treino e primeiro a sair dele, o nível de consistência do Nigel era excepcional. Só usava uma perna mas não quer dizer que era fácil de passar por ele. Sua falta certeira criou a chance do meu primeiro gol no jogo final. Trabalha como comentarista em rádio e na televisão.
Meia - Michael Thomas
Jogou extremamente bem na noite da final, cheio de ideias e correndo pelo coração do meio de campo. Teimoso que era, fazia tudo no seu tempo, incluindo o gol nos minutos finais da partida que elevou esse rapaz ao folclore futebolístico. Comanda uma companhia de segurança em Wirral, Merseyside.
Meia - David Rocastle
Um verdadeiro talento. Antes de ter uma cirurgia no joelho que afetou seu condicionamento, uma rara mistura de trabalho de perna desconsertante, ótimo fôlego e um tremendo coração fizeram que Rocky fosse algo especial. Ele morreu aos 33 anos em Março de 2001 após batalhar contra o câncer. Até agora é difícil aceitar a perda de um amigo tão próximo.
Foto: STEVE YARNELL
Meia - Kevin Richardson
Chamávamos de Albert, porque ele amava uma reclamação como Albert Tatlock na Coronation Street. Mas que diferença ele fazia no nosso meio de campo. Kev trouxe raça e bom-julgamento para o time quando veio do Everton. Movia a bola com grande eficiência. Hoje ele treina o time sub-17 do Newcastle United.
Meia - Paul Merson
Um garoto do Oeste de Londres que gostava de uma aposta e uma bebida mas que talento com a bola nos pés. Como parceiro no ataque, Merse era um sonho, sempre capaz de achar o passe certo. Eu me arrependi do dia que George Graham botou ele na ponta. Trabalha como comentarista para a Sky Sports.
Atacante - Eu (Alan Smith)
Minha segunda temporada pelo Arsenal trouxe um prêmio pessoal inesperado, quando acertei aquela cabeçada em Anfield, assegurando minha chuteira de ouro. Essa foi uma daquelas noites em que tudo deu certo. Também foi a melhor noite da minha carreira. Atualmente sou colunista da Telegraph Sport e comentarista da Sky Sports.
Foto: Action Images
Ponta esquerda - Brian Marwood
Muito energético no vestiário, sempre fazendo piadas e que, junto com Lee, se tornou um bom amigo. Não só isso, mas seus cruzamentos foram responsáveis por vários dos meus gols. Um pena que lesões o mantiveram fora do campo. Trabalha como administrador de futebol no Manchester City.
Meia - Paul Davis
Outro a não jogar a partida final por lesão, mas sua contribuição naquela temporada tinha sido muito importante. Um meia elegante que sempre parecia ter o tempo da bola, Davo era um rapaz tranquilo e com uma determinação de aço. Trabalha como técnico educador da PFA (Professional Footballers' Association ou Associação de Jogadores de Futebol Profissionais) em Londres.
Foto: Action Images
Técnico - George Graham
Um técnico exigente e, muitas vezes, feroz que também pensava profundamente no lado tático. Em termos de conversa, esse era o momento dele. Depois de um belo discurso, ele nos mandou a campo contra os Reds com a cabeça limpa e o coração batendo forte. Hoje trabalha como comentarista no rádio e na televisão.
Foto: Getty Images
O primeiro, Robert "Bobby" Frederick Chelsea Moore, mais conhecido como Bobby Moore, nasceu no leste londrino em 12/04/1941. Atuava como zagueiro e se destacava na defesa dos times em que jogava, sendo considerado um dos melhores em sua posição.
Iniciou a carreira aos 15 anos, nas equipes de base do West Ham e dois anos depois foi para o time principal, que defendeu entre 1958 e 1974, sendo considerado o maior ídolo da história do clube londrino. Pelo West Ham, conquistou a Copa da Inglaterra em 1964, mesmo ano em que foi escolhido o melhor jogador da temporada, e a Recopa da UEFA em 1965, vestindo a camisa 6.
Ainda quando atuava pelo West Ham, Bobby Moore foi convocado para defender a seleção inglesa em 1962, tendo uma passagem gloriosa pelo English Team na copa seguinte, quando levantou a taça em 1966, único título mundial de seu país e conquistado em casa, o que lhe garantiu o prêmio de personalidade do esporte pela BBC no mesmo ano em que se sagrou campeão mundial, além de ter sido condecorado com uma medalha da Ordem do Império Britânico, honraria dada aos nomes que se destacam no Reino Unido.
A passagem pela seleção inglesa continuou na Copa de 70. As três participações em Mundiais mostraram o talento de Moore para desarmes do ataque adversário, se antecipando aos atacantes com elegância e precisão, além de ser ótimo no jogo aéreo, tanto que Pelé o descreveu como o maior zagueiro que já havia enfrentado, quando Brasil e Inglaterra se encontraram na Copa de 70. Atuou em 102 jogos e marcou dois gols com a camisa do English Team.
O ano de 1974 marcou a saída de Moore do West Ham, para defender o Fulham por três anos. Moore ainda jogou nos Estados Unidos, atuando pelo San Antonio Thunder em 1976, e depois pelo Seattle Sounders, em 1978. Aos 37 anos, anunciou a aposentadoria e iniciou breve carreira como técnico, mas não obteve sucesso.
Aos 51 anos, Moore declarou que sofria de câncer no intestino e faleceu em 14/02/1993. O lendário Estádio Wembley, em Londres, tem uma estátua de bronze em homenagem à Moore, que também é lembrado no Estádio West Ham, clube que defendeu na maior parte de sua carreira, além de ter sido criada uma instituição com o seu nome, The Bobby Moore Fund, para angariar fundos para vítimas de câncer.
Ao contrário de Moore, o inglês Anthony Edward Barton, chamado de Tony Barton, teve sucesso também no comando dos times que treinou após se aposentar como jogador. Nascido 08/04/1937, em Surrey, atuou como lateral direito e iniciou a carreira defendendo o Fulham entre1954/1959, tendo participado de 49 jogos e marcado 8 gols.
Após cinco anos no Fulham, Barton foi transferido para o Nottingham Forest, time em que permaneceu até 1961.
O término da carreira como lateral direito foi no Portsmouth, clube em que atuou por mais tempo, entre 1961/ 1967, alcançando a média de 34 gols em 130 partidas.
Com a aposentadoria, Barton deu início à carreira de treinador, com passagens pelo Aston Villa, Northampton Town e Portsmouth. Barton assumiu o comando do Aston Villa em 1982, após saída do então técnico Ron Saunders, de quem era assistente e levou o time à conquista da Champions League no mesmo ano, derrotando o Bayern de Munique de Paul Breitner.
Dois anos depois, foi para o Northampton Town, clube que comandou por um ano, tendo que se afastar após sofrer um ataque cardíaco. Após seis anos sem treinar nenhum clube, Barton foi contratado como assistente técnico do Portsmouth.
Aos 56 anos, não resistiu a outro ataque cardíaco e faleceu em 20/08/1993.
Em fevereiro de 1992, após romperem com a Football League First Division, os clubes ingleses fundaram a FA Premier League com o objetivo de aumentar as receitas que vinham do direito de transmissões das partidas e negociarem seus próprios contratos de patrocínios. A entrada de mais dinheiro nos cofres dos times ajudou a impulsionar uma modificação, não só no futebol jogado, mas praticamente em todos os estádios e também na cultura da arquibancada na Inglaterra. A sociedade clamava por uma intervenção na violência dos hooligans após tragédia de Hillsborough em 1989 e exigia mudanças imediatas.
Enquanto Hillsborough foi o ponto de virada para que os governantes percebessem que algo precisava ser feito, foi preciso que outra tragédia acontecesse quatro anos antes. No que pode ser considerado quase que como um prelúdio, a violência e mortes proporcionada pelos hooligans da torcida do Liverpool em Heysel também se deve muito ao despreparo e desconhecimento (ou seria negligência?) das autoridades e organizadores. As brigas dentro dos estádios eram muito territoriais, expulsar a torcida rival do estádio trazia reputação e aumentava a fama das firms (torcidas organizadas). Separadas por uma pequena barreira e poucos policiais, os hooligans ingleses viram uma ótima oportunidade para atacar os torcedores da Juventus, pouco antes do início da partida. Em menor número, os italianos começaram a correr em direção a um muro de concreto. Alguns torcedores conseguiram pular, mas muitos ficaram prensados contra a parede. Além dos 39 mortos, cerca de 600 pessoas sofreram ferimentos. Isso resultou em uma punição aos times ingleses. Cinco anos fora de competições internacionais e seis para o Liverpool, que estava envolvido no vandalismo que ocorreu em Bruxelas.
Hooligans foram os principais responsáveis pelas mortes em Heysel.
A vergonha e lamentação pelo ocorrido não foram o suficiente para que atitudes fossem tomadas e os jogos em estádios precários continuaram a ser realizados. Hillsborough, assim como Heysel, não possuía preparo para receber uma partida de futebol. Oito anos antes do acontecimento de 1989, o estádio já havia sido palco de incidente parecido na semifinal da FA Cup entre Tottenham e Wolverhampton. Houve tumulto e cerca de quarenta pessoas feridas, mas como ainda não haviam grades que dividiam parte da arquibancada (elas foram colocadas anos depois), os portões laterais foram abertos e isso aliviou o aperto da multidão. A FA só voltou a utilizar o estádio em semifinais da Copa da Inglaterra em 1987, sempre superlotado e torcedores sendo tratados com desrespeito.
Devido a superlotação, pessoas foram prensadas
contras as grandes em Hillsborough.
Apesar de estar em um número maior no dia, os torcedores do Liverpool receberam um espaço menor no estádio. Em cerca de dez minutos, muitas pessoas começaram a se aglomerar perto da entrada com catracas e quem estava sendo impedido de entrar no estádio não conseguia deixar a área por conta da multidão. O início da partida entre os Reds e o Nottingham Forrest não foi adiado devido aos torcedores que já haviam entrado.
Repetindo o que foi feito em 1981, um dos portões fora aberto e estima-se que mais cinco mil pessoas estavam tentando passar as catracas. Mas a estratégia não funcionaria dessa vez. Devido as reformas no estádio, não havia mais o mesmo espaço de antes. A polícia, que estava preparada apenas para conter o hooliganismo e não a superlotação, abriu outro portão e mais torcedores se concentraram nas divisões centrais. Sem uma sinalização adequada, a maioria se concentrou no meio e quem estava na frente foi pressionado contra as grades pelo peso de milhares de torcedores que estavam logo atrás. A polícia impediu que médicos e ambulâncias entrassem em campo para ajudar os feridos, pois temiam uma briga generalizada. Os próprios torcedores tentavam ajudar de alguma maneira. Alguns fazendo macas improvisadas, outros tentando erguer pessoas para a parte de cima. Das 96 vítimas, apenas quatorze conseguiram chegar ao hospital. Evidências foram alteradas para culpar os torcedores do Liverpool e o tabloide The Sun chegou a publicar uma capa histórica acusando os hooligans de roubarem e urinarem nas vítimas além de atacarem os policiais. Somente quase 25 anos depois que as autoridades reconheceram que provas foram alteradas e o que ocorreu em Sheffield não foi hooliganismo e, sim, despreparo, negligência e preconceito.
"The Old Shed End" em Stamford Bridge. Relatório pôs fim
a tradição de torcer em pé.
A maior tragédia da história do futebol britânico deu origem ao Relatório Taylor, publicado em janeiro de 1990. O inquérito, chefiado por Lorde Peter Taylor, fez 43 recomendações e 27 delas teriam que ser implementadas quase que imediatamente. Entre elas, a monitoração das arquibancadas, regularização de alambrados e grades, melhor preparação dos policiais e responsabilidade dos clubes donos dos estádios. O relatório colocou fim a tradição de torcer em pé. Todos com bilhete agora teriam um assento, a fim de evitar superlotação.
Até então, grande parte da classe média-alta via o futebol com desprezo, já que os maiores frequentadores dos estádios eram da classe operária. A ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, principal defensora da classe média, era uma das quais não hesitava em demonstrar o seu desdém. Com a criação de uma nova liga e as novas exigências nos estádios, um novo público começou a surgir no futebol inglês.
O policiamento ganhou apoio de câmeras de vídeo e qualquer tipo de baderna seria reprimida. Brigas e cantos preconceituosos não mais podiam ser tolerados. Muitos hooligans agora foram banidos pra sempre das arquibancadas. Essa transformação também atraiu diversos investidores, que passaram a ver que o futebol era um mercado gigante e com muitas fontes de lucro. O preço do ingresso também aumentou e uma nova onda de torcedores mais “calmos” começou a frequentar estádios muito mais seguros e confortáveis. O clima hostil que predominava nos anos 70 e 80 foi abolido de vez. Turistas e diversos imigrantes agora podem ir aos jogos sem serem vítimas de racismo ou qualquer outro tipo de violência.
Strentford End em Old Trafford, 1975.
Mas a elitização teve o seu preço. Ainda que gere uma boa receita e os estádios estejam sempre cheios, o afastamento de grande parte da classe operária e de pessoas mais pobres que costumavam ir aos jogos fez com a atmosfera dos estádios esfriassem. A essência do futebol foi deixada de lado. As palmas e gritos de apoio ao time em campo deram lugar a uma platéia de teatro, que apenas senta e assiste ao jogo como se estivesse sentado vendo TV no sofá de sua casa.
Entretanto, o hooliganismo dentro dos estádios foi controlado. Mas não extinto. As firms continuam se esbarrando pelas ruas e incidentes de vandalismo continuam a ocorrer, apesar das punições extremamente rigorosas. Franklin Foer, no livro “Como o Futebol Explica o Mundo”, conversa com Alan Garrison, um dos percursores do hooliganismo e torcedor do Chelsea. Garrison acredita que todas essas transformações acabaram por domesticar a violência no estádio, “estragando o prazer da arte pura e espontaneidade das brigas”. Agora elas acontecem com data e local marcado. As confusões foram extraídas do futebol, mas seguem vivas pelos bairros ingleses. Os hooligans viraram tema de fascínio e de muito estudo, tendo sua questão existencial muito bem definida por Alan: “Se a violência do futebol não ocorre no estádio, será mesmo que é violência do futebol?”
Abaixo, uma lista de times que reformaram ou construíram novos estádios devido ao Relatório Taylor, além é claro, da demolição do antigo estádio de Wembley.
1993: Millwall deixa o The Den após 83 anos e se realoca no novo estádio com capacidade para 20 mil pessoas sentadas.
1994: O The Kop, parte do estádio onde torcedores do Liverpool assistiam aos jogos em pé, é demolido. Assim como a Holte End do Villa Park.
1995: Middlesbrough se muda para o Riverside Stadium, que tem capacidade para quase 35 mil pessoas.
2000: Em jogo válido pela eliminatórias da Copa de 2002, a Inglaterra perdeu por 1 a 0 para a Alemanha. Esse foi o último jogo no antigo Wembley, que fechou suas portas após 77 anos para construção de um novo estádio. O gol histórico foi marcado por Dietmar Hamann.
2001: Southampton deixa o The Dell após 103 anos e se muda para o St. Mary's Stadium, que tem o dobro da capacidade de seu antigo estádio - 32 mil pessoas.